Projeto ACM Digital
A elevada demanda por serviços de TI para a inclusão digital pode viabilizar um novo grande negócio para as prestadoras de serviços de telecomunicações. Esta é a visão da Samurai, empresa associada da Telebrasil voltada para projetos de tecnologia da informação. No mercado desde 1995, a Samurai se destacou no vitorioso processo de automação eletrônica das eleições, tendo participado na manufatura de urnas eletrônicas e fornecimento de peças nas eleições de 1996 e de 1998. "Estivemos na gênese desse processo que obteve grande sucesso", orgulha-se Carlos Rocha, diretor da Samurai. Atualmente, a Samurai, com sede em São Paulo, dedica-se essencialmente a projetos que visam acelerar a inclusão digital com um novo modelo de negócio baseado em terminais compartilhados e fornecimento de serviços sob demanda. A idéia explora o fato de que inúmeros serviços prestados por órgãos do governo e por empresas privadas custam muito menos quando fornecidos de forma digital, através de computadores conectados à Internet em alta velocidade. "Qualquer organização pagará para utilizar a infra-estrutura compartilhada de prestação de serviços, de forma digital, simplesmente porque custará muito menos do que manter uma estrutura própria em cada empresa", afirmou Rocha. Ele explicou que, para atender aos prestadores de serviços, a solução deve incorporar um sistema de tarifação que permita a cobrança reversa, ou seja, o prestador de serviço paga pelas transações efetuadas por seus clientes. É o modelo utilizado, por exemplo, na rede 24 horas de caixas automáticos, onde a empresa que opera o serviço cobra dos agentes financeiros, no atacado, as transações realizadas pelos respectivos clientes.
"As operadoras já dispõem de sistemas de cobrança altamente sofisticados e deveriam utilizar isso, disponibilizando pontos de acesso digital para massificar a oferta de serviços de tecnologia da informação", observou o especialista. Ele lembrou ainda que há um imenso mercado, de cerca de 90% da população brasileira que precisa receber serviços de forma digital e não tem poder aquisitivo para adquirir um computador pessoal, e, muito menos, para pagar um acesso de alta velocidade à Internet. Tendo em vista esta realidade, a Samurai concebeu o projeto "Computador a R$ 1,00", baseado no Samurai Linux, tecnologia desenvolvida pela própria empresa e certificada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O "Computador a R$ 1,00" baseia-se na utilização, pelo usuário, de um dispositivo pessoal (um CD-R ou um FlashCard) em uma estação de acesso. A partir da inserção, o sistema se configura automaticamente, apresentando a cada usuário um ambiente personalizado e o acesso a qualquer programa, em qualquer ponto da rede de dados da operadora, ou da Internet. A empresa já forneceu sistemas desse tipo para o programa "Acessa São Paulo", do Governo do Estado de São Paulo, que já conta com mais de 130 infocentros comunitários nesta unidade federativa. O maior infocentro do projeto, implantado em janeiro na Secretaria da Juventude, dispõe de 38 computadores, com capacidade para atender a 22,8 mil pessoas por mês. Mais focado na área educacional, o conceito EDI (Escola Digital Integrada) é outro projeto de inclusão digital desenvolvido pela Samurai, em conjunto com Siemens, Brasil Telecom e Universidade de Brasília. O projeto já foi implantado no Centro Educacional Gisno, unidade da Rede Pública de Ensino do Distrito Federal, com 2.780 alunos, 150 professores e 30 funcionários. "Nós acreditamos que inclusão digital é um negócio auto-sustentado. Deveria ser pensado como tal tanto pelo governo quanto pelas operadoras", resumiu Carlos Rocha.
Publicado em www.telebrasil.org.br