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Um mutirão Anatel - indústria surge em 450 MHz

29/06 14:15 :: João Carlos Fonseca :: Publicado, no site www.telebrasil.org.br

Uma consulta pública está prevista pela Anatel para liberar mais espectro em 450 MHz, algo que alguns empresários criticaram durante a realização do evento GSM, do ibc, no Rio de Janeiro. Eles indagaram como ficará a solução para interiorização das telecomunicações relativa ao rádio-digital na mesma freqüência. Aguarda-se uma nova batalha entre empresas situadas de lados opostos do Atlântico.

São parceiros no projeto SCD: CPqD (integrador do projeto), Lucent (meios de transmissão), EMS (antenas), ConnectBUS (veículo itinerante), Samurai (estações de acesso), Genius (caixinhas), Cernet (Wi-Fi), Diebold-Procomp (terminais CEF e SUS), Isat (conteúdo educativo), Intelbrás (PABX) e UnB (conteúdo); e na área de terminais, Giga Telecom, Syneterc, Topex, GTRAN, Daruma e Qualcomm.

Na base do projeto, a perspectiva por parte da indústria e da sociedade do descontigenciamento dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações e o impulso que a Anatel e o Ministério das Comunicações emprestam à oferta de serviços em regiões remotas, rurais e de baixa renda.

Parceria

Dentre os parceiros presentes à demonstração da Lagoa Oeste, Edmundo Antônio Matarazzo, da Anatel; Virgílio Martins e Luiz Cláudio Rosa, da Lucent; Luis Baptistella (ex-CPqD) da ConnectBus; e Carlos Rocha, da Samurai.

Segundo Mattarazo, o novo serviço SCD, que “não é para competir com o celular”, será prestado em regime público de concessão com consulta pública, edital, plano de metas de qualidade e de outorgas, saindo ainda este ano.

“Tudo alavancado pelo FUST para melhorar o ID (índice de desenvolvimento), com serviços essenciais às comunidades. Uma meta que o Governo persegue. Saímos do papel para fazer algo concreto e a indústria aderiu”, afirmou o técnico da Anatel. Quanto ao satélite, é uma solução pontual e complementar. Está sendo estudada junto à Star One a ligação da ERB em Santa Maria à Campinas (SP). Para Luiz Cláudio Rosa, um grande impulsionador do projeto SCD, o que se quer é “uma grande ethernet (rede local) do tamanho do Brasil”.

Na parte rádio do experimento, efetuado na faixa livre de 450 MHz, a Lucent instalou uma ERB (estação radiobase CDMA 1xRTT e 1XEV-DO) em Santa Maria, a 15 quilômetros da sede da Anatel, em Brasília, e a 45 quilômetros (em visão direta) do Centro de Ensino Supletivo Lagoa Oeste (1.200 alunos), onde estacionou o ônibus itinerante da ConnectBUS, equipado com a eletrônica necessária.

Uma antena Yaggy de 10 dB de ganho garantiu um enlace a 800 kbit/s. A ERB foi controlada da sede da Lucent, em Campinas (SP). Uma ERB a 450 MHz cria uma célula rádio de grande raio de cobertura que poderá comportar uma modalidade “portátil” de serviço.

A consultora e provedora de infra-estrutura tecnológica CPM (Deutsche Bank Capital Partners e Bradesco) desenvolveu o software e o data center no ambiente Fit.Ix, que substitui a arquitetura convencional cliente-servidor por centralização de informações. O experimento permite acessar o “Aprende Brasil”, um aplicativo educacional interativo armazenado em um servidor, em Alphaville (SP).

A ConnectBUS, com uma equipe de 10 pessoas oriundas da NET, se especializou em prover o serviço de veículos – ônibus, carretas, vans – com meios de comunicações e de informática, inclusive telefones públicos para demonstração criando pontos de presença onde necessário. O próximo passo é dotar sua frota de 154 unidades com comunicação satélite via Star One.

A Samurai desenvolveu uma estação de acesso multiusuário – um móvel todo preparado – que é só instalar no local e sair usando a Internet em seus quatro computadores e persegue a idéia do computador a US$ 1 com plataforma Linux. “O Samurai 200 X-4 é um telecentro in a box”, definiu Carlos Rocha, que patenteou o produto no Brasil e nos EUA.

Brasil Grande

“Tomara que tudo dê certo”, torceram esperançosos Antonio Jorge e Dione Scandra, orientadores educacionais da Escola Supletiva de Lagoa Grande, comentando que muitos alunos adultos nunca tinham visto antes um computador e que com ajuda da máquina tomaram conhecimento, pela primeira vez, da imagem do Pão de Açúcar.

No interior refrigerado do ConectBUS, Alteglardes, 13 anos, do Tocantins, com cinco anos de estudo e de uma família de cinco irmãos, olhos pregados na tela do computador, comentou que “gosta de ver animais pela Internet e que no futuro quer ser advogado para solucionar casos”. A Escola de Lagoa Grande – aonde os jornais chegam em D+2 – tem salas com nome de animais: sala da coruja, da ema, do quati, da capivara, da perdiz, da jaguatirica e do macaco prego.

Já José Alex, 15 anos, natural da Paraíba, prefere ver parques geográficos e histórias de reis e imperadores, como D. João VI e D. Pedro II. Quanto à profissão, ele não tem dúvidas e responde rápido “quero ser defensor público para ajudar os pobres”.

:: Publicado, no site http://www.telebrasil.org.br