Cartão flash é combustível de internet popular
O programa Acessa São Paulo, criado pelo governo do Estado para popularizar o uso da internet, vai crescer. Em agosto será inaugurado, com a unidade Poupatempo Guarulhos, um centro com 15 computadores. Já o Poupatempo Sé terá 16 micros para surfar na web.
"Nosso alvo são os 3,5 milhões de paulistas das classes D e E", resume o coordenador do programa, Fernando Guarnieri. "Os planos incluem até a instalação de computadores nos restaurantes populares Bom Prato", diz.
Terminais de ônibus, bibliotecas e estações do metrô também estão na lista.
Em todo o Estado há, hoje, 67 centros públicos de acesso à internet. O número não inclui as escolas que têm PCs.
Os novos postos de acesso seguem o modelo em uso nas centrais Poupatempo de Santo Amaro e Itaquera. Lá, uma equipe cadastra os interessados e controla o tempo do surfe na web, limitado a 20 minutos por vez. As estações são do tipo "thin client": não usam disco rígido ou disquete e operam com uma versão adaptada do Linux, feita em parceria pelas empresas CPM e Samurai. O acesso ADSL, de 512 kb, é fornecido pela Telefônica.
"O uso de software livre ajudou a reduzir custos", explica Guarnieri. Nas estações, os usuários podem usar softwares como os navegadores Opera, Galeon Explorer e Netscape, além da suíte de aplicativos StarOffice 5.2. A diferença em relação a outros serviços de acesso é que, neste, os usuários podem carregar arquivos em memórias flash.
"Com a memória flash, as pessoas guardam seus documentos e retomam o trabalho quando quiser, em qualquer estação do Acessa São Paulo", explica Guarnieri. No período de teste, que termina no dia 30, o governo emprestou cartões de 32 MB para 300 pessoas selecionadas. Mas a idéia é que o próprio cidadão compre seu cartão de memória. Nas lojas, um Compact Flash de 32 MB custa a partir de R$ 95.
Para quem fez parte do grupo de avaliação e não precisou comprar a memória, o programa foi aprovado. "Gosto de guardar no cartão tudo que recebo via e-mail", diz o usuário Gerson Cândido de Paula, que coleciona desde fotos tiradas com webcams até arquivos PowerPoint. Gerson, que está desempregado, raramente deixa de ir ao Poupatempo Santo Amaro para checar e-mails.
O livre acesso aos PCs também ajuda Yasser Abu Khalil, de 21 anos, a se comunicar com a família. Palestino de Ramallah, mas carioca de nascimento, Khalil chegou ao Brasil há um mês e já usa os computadores do Acessa São Paulo para ler notícias sobre sua região. Sua maior dificuldade é solicitar serviços, como a impressão de páginas da internet. "Aprendi português com minha mãe, mas falo muito mal", desculpa-se.(R.N.S.)
Publicado no site: estadao.com.br